Saúde

7 em cada 10 pacientes da Covid-19 têm até 60 anos

Depositphotos_Ruslan Huzau
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Grupo de até 40 anos representa quase 30% dos casos confirmados no HCor.

Balanço traz panorama de atendimentos em seis meses de pandemia

 

O HCor (Hospital do Coração) realizou um levantamento inédito sobre o perfil de mais de 2.200 pacientes com Covid-19 atendidos nos últimos 6 meses na instituição. Os dados mostram que, no geral, mais da metade desses pacientes tinham até 60 anos.

Os números reforçam que a idade não é um critério de corte para afrouxar cuidados e isolamento, por exemplo, além de mostrarem que o perfil de comorbidades que agravam os quadros se repetem: hipertensão, diabetes e as cardiopatias.

Além disso, uma curiosidade são as altas dos pacientes mais novo, 14 anos, e mais velho, curado aos 102 anos.

Levantamento inédito do HCor, realizado com base em dados epidemiológicos de mais de 2.200 pacientes, mostra que 70% das pessoas que tiveram o diagnóstico confirmado de Covid-19 – e passaram pelo serviço de pronto atendimento ou ficaram internadas no hospital -, têm até 60 anos. Entre os mais jovens, 10% têm menos de 30 anos e 25% entre 20 e 40 anos.

O estudo também relacionou as principais comorbidades,  ou seja, doenças associadas, que podem agravar o quadro da Covid-19, dos pacientes acompanhados nos últimos 6 meses. Confirmando os dados mundiais, hipertensão arterial e diabetes mellitus foram os principais problemas de saúde relacionados aos casos mais críticos.

Do total de 2.228 pacientes, mais de 45% convivem com pressão alta e 25% são diabéticos. As displidemias, elevação dos níveis do colesterol ruim e de triglicerídeos no sangue, também atingem mais de 20%. “Embora não existam, ainda, muitas informações sobre a nova coronavírus, a prática clínica, no mundo todo, já sinalizou um alerta importante, que é a relação de algumas comorbidades com os casos mais severos da Covid-19. Pacientes do grupo de risco devem reforçar as medidas de higiene e, se possível, manterem o isolamento social. Além disso, a manutenção de hábitos saudáveis não pode ser descuidada, principalmente nesse período de pandemia”, explica a infectologista
Daniela Bergamasco.

O levantamento ainda mostrou que 30% dos casos necessitaram de internação, com tempo de hospitalização médio de 10 dias. Já entre os quadros mais graves, o tempo de internação quase dobrou, passando para 18 dias em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os idosos foram os que mais necessitaram de cuidados intensivos. A média de idade entre esses pacientes é de 68 anos, sendo 65% deles do sexo masculino. “Estudos epidemiológicos são muito importantes no enfrentamento da pandemia. A inteligência de dados pode colaborar diretamente com a tomada de decisões e, no futuro, norteará protocolos e novas pesquisas clínicas”, destaca a médica Suzana Silva, coordenadora do setor de Epidemiologia do HCor.

O Brasil está entre os três países com o maior número de casos de Covid-19. Apesar das estimativas apontarem queda acentuada nas duas últimas semanas, as medidas de segurança e o autocuidado são, ainda, os principais aliados da prevenção. Estudo recente da USP de São Carlos mostrou que o isolamento social, combinado com o uso de máscaras, diminuiu em 15% o contágio do vírus em São Paulo. “Enquanto não há um imunizante eficaz e seguro, precisamos nos proteger e expandir esse zelo por nossas comunidades. A máscara salva vidas, assim como a higienização adequada das mãos é uma das medidas mais eficazes para evitar a disseminação do novo coronavírus e de outros vetores de infecções virais”, finaliza Bergamasco.

 

Matéria publicada no Guia da 3ª Idade nº 50