Saúde

Pilates: os maiores benefícios do método (Parte 2)

Continuação da matéria iniciada na edição anterior onde a Professora Dra Eliane Coutinho relaciona os 12 principais benefícios do método Pilates.

7 – Pilates na Artrose

© Depositphotos/Tyler Olson
© Depositphotos/Tyler Olson

A artrose é um processo degenerativo articular que causa dores e perda de movimento. O método Pilates tem como principal função aumentar os espaços intra-articulares, por meio do ganho de flexibilidade e estabiliza as articulações e do ganho de força muscular.

 Os exercícios de Pilates trabalha os músculos em cadeia cinética fechada, que melhoram a artrose, pois esses exercícios não sobrecarregam as articulações e geram fortalecimento dos grandes grupos músculos, de forma organizada.

A amplitude de movimento conseguida pelo alongamento muscular é outro benefício que ameniza a artrose. O alongamento muscular aumenta os espaços intra-articulares permitindo movimentos amplos e melhora das habilidades motoras durante o dia a dia.

O método ainda trabalha as articulações de forma preventiva, ou seja, o Pilates é capaz de fortalecer e alongar os músculos, estabilizando as articulações e prevenindo o processo de sarcopenia (atrofia muscular) e sobrecarga que ocorre durante o envelhecimento.

8 – Pilates na Escoliose

Os desvios posturais são muito comuns durante a infância (entre 10 e 12 anos), em especial a escoliose e a hipercifose, que é uma alteração do alinhamento da coluna. A escoliose caracteriza-se por uma torção da coluna vertebral, sendo assim, é um desvio tridimensional. Porém, antes de nos atermos à escoliose, faz-se necessário diferenciar a escoliose propriamente dita da chamada atitude escoliótica.

A atitude escoliótica é resultante de um desvio apenas no plano frontal e é totalmente redutível. Além disso, não apresenta nenhuma deformação estrutural, não é permanente e não evolui. Ela é considerada como uma atitude de compensação por perturbações que não estão diretamente ligadas à coluna vertebral, como, por exemplo, a diferença de comprimento dos membros inferiores, o desequilíbrio na pelve, fraqueza dos músculos do tronco, posturas antálgicas (postura compensatória por dor), vícios de mau posicionamento, entre outros.

O Pilates tem o objetivo reorganizar o eixo da coluna vertebral, tratando o desequilíbrio muscular, a alteração da imagem postural, a fraqueza e o encurtamento muscular, por meio da flexibilização e fortalecimento dos músculos superficiais e profundos dos músculos do tronco.

O método trabalha de forma dinâmica, com o repertório original dos exercícios no solo e nos equipamentos, como o objetivo de promover reorganização vertebral e reequilíbrio muscular, tratando não só a alteração postural mas, estimulando o cuidando com a postura corporal,  através do equilíbrio entre, força e flexibilidade dos músculos que sustentam a coluna vertebral.

9 – Pilates na Hipercifose

A coluna vertebral apresenta 4 curvaturas no plano sagital (lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e cifose sacro-coccígea), que são balanceadas e cuja presença tem sido interpretada sob o ponto de vista biomecânico, como possuindo benefício de aumentar a resistência mecânica da coluna vertebral, aumentar a sua capacidade de absorção de choques e também a sua flexibilidade.

A manutenção desse equilíbrio é sinônimo de uma coluna saudável e desejo de todos ao longo da vida. Um indivíduo com hipercifose, uma coluna curvada para frente no plano sagital, é um indivíduo velho, ao contrário, um indivíduo ereto é considerado como um indivíduo jovem.

Se olharmos os idosos curvados a percepção é de um corpo mau cuidado, doente, sem movimento. Se olharmos um idoso ou um jovem com postura ereta, olhando para o horizonte, a percepção é de um indivíduo com um corpo jovem e saudável.

A hipercifose é uma deformidade comum em todas as faixas etárias, tendo como causa os posicionamentos posturais inadequados agravados pelo desenvolvimento tecnológico, como o uso dos celulares, tabletes e computadores. Essa deformidade é agravada por dores na coluna cervical,  nos ombros, nas escápulas podendo estender-se por toda a coluna vertebral.

 Para voltar a ter uma coluna ereta, é recomendável reequilibrar as forças musculares e o método Pilates traz o benefício do reequilíbrio postural devolvendo a força muscular superficial e profunda do tronco, organizando o posicionamento das escápulas, dos ombros, da cervical e da cabeça. Os exercícios de Pilates visam reorganizar biomecanicamente a coluna, fortalecer os músculos posturais e devolver uma postura com curvaturas equilibradas.

© Depositphotos/Andriy Popov
© Depositphotos/Andriy Popov

10 – Pilates promovendo Coordenação e Equilíbrio

Ao longo da vida, o indivíduo perde a capacidade de coordenar os movimentos e o equilíbrio. Essa perda pode ser decorrente de doenças neurológicas ou apenas da perda de massa muscular, chamada de sarcopenia.

A coordenação é um fenômeno intra e intermuscular caracterizado pela ativação das musculaturas na ordem e em momentos adequados. O equilíbrio é a habilidade de manter o corpo estável em determinada situação. E isso adquire-se com o treinamento. Com o avanço da idade e perda muscular o equilíbrio e coordenação são comprometidos.

Para manter a coordenação é necessário a execução de padrões motores em todas as amplitudes e planos de movimentos.

O método Pilates tem o grande benefício de proporcionar esses padrões de movimentos, por meio de exercícios funcionais no solo e nos equipamentos, que permitem padrões motores de grandes amplitudes de movimentos.

Dessa forma, o Pilates desenvolve, treina e reabilita a coordenação motora, associando movimentos de membros superiores e membros inferiores. Trabalhando movimentos associados, gerando benefícios, como o ganho de coordenação e equilíbrio.

O Pilates trabalha a coordenação e o equilíbrio, desde a infância de forma preventiva acompanho e estimulando desenvolvimento, a na terceira idade recuperando e estimulando o equilíbrio e coordenação comprometidos.

11 – Pilates na Hérnia de Disco

A hérnia de disco é considerada uma das doenças que mais causam afastamento no trabalho, pois acarreta uma grande debilidade motora. É o diagnóstico mais comum dentre as alterações degenerativas da coluna lombar (acomete 2 a 3% da população) e a principal causa de cirurgia de coluna na população adulta. O quadro clínico típico inclui lombalgia inicial, seguida de lombociatalgia e, finalmente, de dor ciática pura.

Hoje, o método Pilates pode tratar o indivíduo deixando-o sem dor e funcional. Esse método cada vez mais é aprofundado cientificamente nas áreas de biomecânica, cinesiologia e neurologia, fazendo com que os profissionais prescrevam o método de forma consciente para tratar doenças tão graves, como a hérnia de disco, que compromete os componentes físico emocional do paciente.

O Pilates traz muitos benefícios para essa patologia, como estabilização a coluna, controlar a dor, reorganizar as curvaturas e fortalecer os músculos profundos, gerando o controle da disfunção, e trazendo para o indivíduo qualidade de vida.

O método trata desde a fase inicial da doença, estabilizando-a e controlando o quadro de dor, até a fase crônica, na qual é preciso estabilizar e mobilizar a coluna para que esta ganhe flexibilidade, diminua sobrecarga, e também ganhe força para controlar os micro movimentos que causam e agravam a hérnia.

A modalidade utiliza, no processo de reabilitação, exercícios do pré-pilates, que são exercícios que visam construir uma coluna organizada. Esses exercícios são feitos no solo, uma vez que trabalham a estabilização estática, e também nos equipamentos, trabalhando exercícios estáticos, dinâmicos e de mobilidade da coluna.

É preciso que essa disfunção seja tratada por um fisioterapeuta extremamente capacitado e com uma visão de reabilitação plena. Ou seja, devolver a função, e não só debelar o quadro de dor, mas deixando o indivíduo com a função reabilitada.

A partir do momento que a hérnia não precisa ser operada, cabe em conjunto, o médico e o fisioterapeuta e educador físico reestabelecer a função do movimento, por meio de um programa de reabilitação e condicionamento através do método Pilates.

12 – Pilates na Melhora do Padrão Respiratório

Durante os exercícios, o método Pilates traz muitos benefícios, entre eles o aumento da capacidade respiratória.

Esse é um benefício que o método oferece por aumentar o volume de oxigênio, por meio do trabalho do diafragma. E também o aumento do volume da expiração. Ou seja, aumenta tanto a capacidade de inspirar, como a capacidade de expirar.

Dessa forma, todas as pessoas que praticam o método trabalham os músculos com maior aporte de oxigênio, isso tem o grande benefício para o metabolismo celular, diminuindo a acidose metabólica e as câimbras.

 Logo, o músculo submetido a exercícios de Pilates é mais resistente a fadigas e consequentemente menor índice de lesão, e menor índice de dor durante os exercícios.

A prática do método Pilates fortalece o músculo do diafragma melhorando várias disfunções respiratórias, como bronquite crônica, enfisema pulmonar e asma.

Assim, o método beneficia indivíduos em sua diversas disfunções: musculoesqueléticas, neuromotoras, e respiratórias. É um método que trabalha vários sistemas corporais, não focando apenas no músculo, mas no indivíduo como um todo. Como diria seu criador Joseph Humbert Pilates:

“Eu devo estar certo. Nunca tomei uma aspirina, nunca perdi um dia em minha vida. O País inteiro, o mundo inteiro deveria fazer meus exercícios. Eles seriam mais felizes.”

 

Conteúdo: LQ Comunicação

Sobre o autor

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