Saúde

Longevidade. Praticando a Maturidade Ativa

© michaeljung Hongqi Zhan
© michaeljung Hongqi Zhan

Hoje você está gozando de boa saúde. O que fazer para mantê-la assim por toda sua maturidade nos próximos 10, 20, 30 anos…

Ao completar 70 anos de idade, o autor resolveu dedicar-se a estudar de forma detalhada o conceito do que deveria modificar em sua vida para aumentar a probabilidade de continuar a ter uma vida ativa e saudável.

Após demorada pesquisa realizada no exterior – o assunto aqui ainda era novo e sem fontes suficientes – o autor encontrou vários paradigmas e os vêm aplicando para comprovar sua eficiência.

As pesquisas demonstram serem os hábitos de vida uma das principais causas de influência no sucesso ou insucesso obtido pelas pessoas desejosas de uma maturidade melhor.

© deposiphotos.com/eugenesergeev
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Em grande parte função de hábitos regularmente praticados, elas se mantêm produtivas, saudáveis, criativas e apesar de estarem em idade mais avançada, continuam coordenando seu tempo e conseguem participar de atividades normais e familiares.

Elas gerenciam a própria vida, não se entregam a pensamentos negativos, participam de atividades diversas, mantêm relacionamentos e poder de comunicação.

Manterem-se ocupadas, não se imobilizarem esperando que os fatos ocorram é o conceito.

A idéia é criar um Centro de Informações sobre a Maturidade Ativa, com esse conceito de saúde total, corpo, mente e espírito, checando informações cientificas e holísticas (não cientificas). É um Centro de Suporte a Pesquisas e Desenvolvimento do Ser Humano que faça chegar informações responsáveis ao público interessado em rever seus hábitos de vida.

www.sbtermalismo.com.br

O  ser humano é o mais perfeito exemplo de aperfeiçoamento e adaptação que existe na natureza. Ao longo de milhões de anos evoluiu sobrevivendo a fatores negativos desafiadores, desenvolvendo dentro de si mecanismos de auto-proteção quase perfeitos. Ele chegou aos dias de hoje com grande sucesso, mas precisa, merece e deve ser conservado, mantido em seu equilíbrio correto. O crescimento da população gerando forte poluição, desafia-nos a continuar se adaptando e aperfeiçoando.

A Maturidade Ativa nasceu em 1938 através pesquisas iniciadas com um novo enfoque pela Harvard Medical School que, de forma contínua, analisou a vida de grupos de seus estudantes saudáveis ao longo de suas carreiras, mesmo depois de formados, a cada dois anos, até os dias de hoje. Em outras universidades os estudos se sucederam com o mesmo êxito. A própria American Association of Retired Persons, com mais de trinta e oito milhões de membros, passou a dar suporte a pesquisas de longevidade na University of Southern Califórnia.

Em seus primórdios a especialidade gerontológica focava seus estudos apenas na fase do processo de envelhecimento. Hoje, alguns desses conceitos estão sendo reavaliados e implementados.

Antigamente, as pessoas ao se aproximarem dos 50 anos iam-se aposentando, parando, abandonando suas atividades profissionais e sociais. Acabavam perdendo poder familiar, econômico e social. Elas se retiravam para suas casas e praticamente deixavam de existir. No presente, esse conceito está totalmente modificado.

Com a grande ampliação da expectativa de vida, agora cada vez mais comprovada, as pessoas quando bem informadas e conceituadas como maduras, deixam de se aposentar, ou trocam de atividade. Hoje em dia devido a alta tecnologia dos novos meios de comunicação podemos trabalhar em qualquer lugar, até em nossas casas.

Às vezes as necessidades econômicas nos obrigam a permanecer sempre ativos. O que seria aparentemente uma desvantagem revelou-se uma excelente oportunidade, pois nos mantemos com mais saúde e ativos. O nível econômico e social sofre pouco, ficamos menos sujeitos a doenças e depressão. Sentimos a saúde ainda forte, os meios de comunicação à nossa disposição (televisão, computador, internet, celular, etc.) nos mantêm conectados, engajados e atualizados com fatos diários que acontecem no mundo.

Em países desenvolvidos, onde as mulheres são mais longevas, elas em geral continuam ativas e estão no controle em diversas escalas de muitas atividades profissionais. Verificou-se que as condições físicas, mentais e espirituais das que permaneceram em atividade constante são melhores que as daquelas aposentadas totalmente. Esse fato modificou o conceito de gerontologia x maturidade ativa.

Vários outros fatores concomitantes provocaram a necessidade de se reverem os estudos das pessoas ao envelhecer. Os exames médicos preventivos, laboratoriais, check up físico e psicológico, os modernos medicamentos desenvolvidos (inclusive na área sexual) provocaram um real prolongamento da existência mais ativa e útil. A idade média das pessoas ativas subiu de 60, 70, para 85 e mais. Um novo mundo começou a se abrir para esse grupo social maduro, que se amplia rapidamente. O próprio marketing de produtos para grupos com mais idade explodiu.

Ao iniciarem os estudos das pessoas mais longevas nos países desenvolvidos, os pesquisadores verificaram com surpresa que mesmo as pessoas mais maduras, que se mantiveram em atividade, continuavam a ter excelente saúde. Constatou-se serem Os Hábitos de Vida Saudáveis, praticados nos 25 ou 30 anos anteriores, a razão maior que os mantiveram de bem com a vida. O importante é continuar mantendo uma atitude positiva e socialmente participativa.

No desenvolvimento da maturidade novos aspectos interessantes se realçaram como importantes: participação nos acontecimentos; relação familiar afetiva respeitosa; melhora da comunicação com outras pessoas da sociedade, criando círculos de amigos; estado físico positivo com bastante movimentação. É o novo contexto.

Essa nova classe social, Maturidade Ativa, apresenta hoje todos os tipos de multiplicadores de poder, com programas de novos estudos, ginásticas específicas, demonstrações de como o organismo, mesmo um pouco mais velho, reage bem aos exercícios físicos, melhorando sensivelmente.

Um exemplo é o play game da Nintendo, o Wii. Nele os movimentos de quem pratica, jogando tênis, boliche, golf ou dança, são feitos com comandos sem fio (wireless) e se revelam extraordinários para a recuperação de movimentos, a memorização de controles mentais de articulações e musculatura.

Caminhando juntos, os meios de comunicação mostram continuamente pessoas mais maduras, com idade “old-old” (mais de 80 anos), ativas e no comando de grandes grupos financeiros ou industriais, controlando situações, acontecendo, viajando, inclusive iniciando novos negócios.

No Brasil, conforme dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do IBGE (2003), publicados pela revista Veja (23/07/2008), a expectativa de vida mudou, para muito maior. Em 54 anos – levando em consideração os dados femininos – a expectativa de vida chegou a um aumento médio de 157 dias para cada ano de vida anterior.

As pesquisas demonstram que as doenças graves que levaram as pessoas a estados terminais, entre os 60 e 80 anos, começaram como sutis sintomas aos quais não foram dadas as devidas atenções.

Em quase 60% dos casos, são consequências dos últimos 25 ou 30 anos de não corretos hábitos de vida, e falta de cuidados com o estado geral físico, mental e emocional.

Os maus hábitos e os vícios básicos da civilização (tabagismo, álcool, obesidade, mau humor e stress exagerado) alteram o equilíbrio do sistema imunológico, cobrando seu preço dezenas de anos depois. Mas sempre o farão.

Mantenha consigo mesmo um compromisso: seja dono e mestre do seu destino. Devemos gerenciar nossa vida. Os fatos ocorrentes são como ondas no mar, vão acontecendo, desviam as rota de forma cumulativa. Não devemos perder nosso objetivo, a visão correta do desejado destino.

O fato de gerenciarmos nossas vidas não nos garante não haver surpresas, mas diminuem extraordinariamente as probabilidade de acontecer o pior.

Discute-se muito a questão médico-paciente. Temos de eliminar a crença de que médico é só para doente. Somos uma máquina complexa que precisa de manutenção. Por exemplo, os carros avisam da necessidade de gasolina. Assim também é nosso corpo.

O ideal é fazer um “check up leve de 3 em 3 meses, 6 em 6 meses, mesmo se nos estivermos sentindo uma gazela saltitante. Criar um histórico de nossa evolução irá auxiliar nosso futuro.

Monitoramentos são bons e nos ajudam a manter motivados. Sempre que progredimos nossa auto-estima se eleva e isso nos faz bem. Deixe-se surpreender… mesmo com 90 anos se consegue êxito com exercícios físicos corretos, monitorados por profissionais especializados.

Para se ter uma idéia da importância desses hábitos da modernidade sobre a longevidade humana, de acordo com pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, dentre os fatores que pesam para que uma pessoa ultrapasse os 65 anos, o estilo de vida é a causa mais preponderante (53%) para prolongar ou diminuir a vida.

Um exemplo de simples ações rotineiras que dão resultados é a prevenção do câncer.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, a doença é considerada a segunda causa de morte na maioria das nações. No Brasil é responsável por aproximadamente 15% do total de óbitos, perdendo apenas para doenças cardiovasculares e agentes externos, como acidentes de trânsito.

Organizações Internacionais reconhecem que algumas reações emitidas pelo corpo muitas vezes são ignoradas por pacientes e médicos. Entre elas distensão ou inchaço abdominal, desconforto e dor pélvica ou abdominal, alterações urinárias e digestivas importantes e essenciais para uma futura doença. Por isso devemos ficar sempre atentos a essas reações e alterações. Esteja em contato com seu médico.

Para você viver uma vida saudável, ativa e longa, tem de cuidar com carinho dos seus hábitos de vida. São relativamente fáceis de serem controlados no início do processo. Equilíbrio, harmonia, desenvolvimento de boas relações familiares, sociais e no trabalho, correta alimentação, prazeres nunca em excesso e praticar esportes ou ginástica.

A ciência, em todos estes anos, ainda não conseguiu motivar as pessoas a se auto cuidarem devidamente ao envelhecer, mostrando a importância de gerenciarem a própria vida. Somente agora está recomendando aos homens usar cremes (protetor solar), manter exames continuados sobre pintas e keratoses (eventuais futuros câncer de pele), fazer caminhadas, exercícios físicos diários (de acordo com o seu perfil), alimentação controlada (não exagerada).

Deve ainda insistir na importância de não se aposentar totalmente, e louvar a atitude de nos mantermos engajados em grupos de atividades constantes, com um continuo aperfeiçoamento em muitos campos.

Lembram-se quando nós éramos crianças e de repente damos um salto para a adolescência, onde tudo era novo, curioso, com um pouco de medo, mas muito atrevimento?

Hoje, ocorre outro fato, o conceito meia-idade mudou completamente. Ou damos uma queda para a velhice ou ficamos embananados pelas novas idéias com medo de as abraçar.

Contamos hoje com uma poderosa carta que não tínhamos quando pré-adultos, a experiência de vida, nossa e de outros. O que foi prolongado é nossa maturidade. Por que não tirarmos proveito de tudo isso e vivermos felizes para sempre?

Nós somos fruto de experiências vivenciadas desde o nascimento até a passagem para outra vida, transformadas em memórias. Essas lembranças adquiridas vão formando, aos poucos, os traços característicos da personalidade e ditarão o nosso comportamento nas próximas fases da vida.

Isso se dá pelo desenvolvimento dos papéis que desejamos nela representar. Se forem interpretados de maneira incorreta, irão provocar críticas negativas. A escolha é feita por nós, não podemos culpar outras pessoas pelas nossas escolhas e opções. Devemos avaliar nossos valores e padrões para entender melhor nosso papel e evoluir para um estado de maior perfeição. E isso é possível.

A dificuldade em relação à maturidade é não haver o devido aproveitamento das experiências e sabedoria daqueles com mais vivência.

A aposentadoria, em sua concepção anterior, tem um efeito contrário ao esperado, pois nos afasta de nossas funções habituais de trabalho, transformando-nos em indivíduos cheios de frustrações, o que pode conduzir à solidão. Com a descoberta desta dura realidade, começamos a viver uma fase de desgostos, de carências de afetos e desilusões.

Todavia o problema não é só a aposentadoria, mas a retirada do convívio social e cultural. Ficar sem viver o dia a dia, a que estávamos acostumados até então, pode bloquear a nossa auto-estima, perdendo poder econômico, físico e social.

A sociedade nos julga conferindo a nós um menor valor, por estarmos em uma fase de menor inter-relacionamento. Isso, no entanto, nada tem a ver com o nosso status atual interior e com a nossa maturidade. É um meio que arranjaram para satisfazer seu ambiente e principalmente a família, nos consolando e acalmando, como se estivessem nos concedendo um lugar em seu meio.

O aposentado no conceito anterior ficava em casa e passava a ter um valor muito pequeno na vida familiar. Era um simples idoso à disposição para tarefas pouco importantes, sem ligação com suas funções anteriores. Tarefas estas puramente afetivas, com a justificativa de evitar preocupações, não sendo aproveitadas suas experiências e conhecimentos anteriores, ou seja, sua bagagem de vida.

A estressante vida atual dos familiares é muito perigosa para o aposentado que vive no  isolamento, e as consequentes ansiedade e depressão, a ponto de transformá-lo em um obeso solitário, porém magro espiritualmente.

A grande causa da baixa qualidade de vida das pessoas acima dos 60 anos é a falta de aptidão física e sua pouca mobilidade. O sistema cardiovascular, a massa muscular, a falta continuada de movimentos e de flexibilidade, sofrem um declínio acelerado com o sedentarismo e comodismo.

Os exercícios, a dieta, o controle de peso e os hábitos de vida adequados podem melhorar a qualidade de vida na maturidade, prevenindo e minimizando as mudanças decorrentes do processo de envelhecimento.

Está mais do que comprovado que, mesmo com certa idade, podemos obter excelentes benefícios dos exercícios físicos.

Esses benefícios vão além de melhorar o corpo apenas exteriormente. Interna e externamente ocorrem: aumento da elasticidade, fortalecimento da musculatura, aumento da massa muscular, melhora nas articulações, diminuição da perda óssea (evitando doenças como osteoporose), aumento da capacidade pulmonar com melhora da oxigenação do organismo, além de baixar a pressão arterial e a glicose.

A atividade física melhora a auto-imagem, dá mais autoconfiança, afetividade, aumenta a sociabilização e propicia atitude positiva perante a vida. A condição ideal para o equilíbrio: corpo, mente e espírito.

Hoje em dia nossa alimentação é baseada em grandes quantidades de alimentos industrializados, além do maior acesso aos confortos propiciados pela tecnologia: elevadores, carros, controles remotos, escadas rolantes. Fenômenos típicos dos processos de industrialização e urbanização, os hábitos da modernidade vêm gerando brasileiros mais gordos, inativos e mais estressados do que nunca.Ao longo dos anos, todas as sociedades construíram preferências e proibições em relação aos seus alimentos. Temos todos cerimoniais para o preparo dos alimentos, no modo de comer, nas tradições, nas culturas. Sabemos que alimentos naturais são os mais indicados para nós.

Certas explicações sobre a alimentação x obesidade, que é a “coqueluche do momento”, são muito ingênuas. As razões para o grande número de obesos não estão comprovadas. A culpa é jogada nas cadeias de “fast-food” e, olhando para as evidências, apenas essa explicação não se sustenta. A obesidade é muitas vezes causada pela ansiedade, pois quando a pessoa come em excesso, ela se se tranquiliza, gerando um círculo compulsivo.

Existem pessoas com problemas específicos de saúde e que precisam de dietas especiais, com ajuda de profissionais. Se não logra êxito, surgem problemas psíquicos e emocionais, que se refletem em graves distúrbios alimentares, comprometendo a qualidade de vida e à saúde.

Mas o que é então uma alimentação saudável, nutritiva e gostosa? Refletindo sobre esta pergunta, nem sempre existe uma resposta verdadeira. Depende se você é uma pessoa saudável, com o peso correto e quer apenas conservar este “padrão” ou, se pelo contrário, você tem problemas de saúde ou tendências hereditárias; se é obeso ou já está com propensão a engordar…

O objetivo principal é a saúde preventiva e não curativa, pós-doença instalada. Se houver um histórico familiar, antes dos fatos virem a acontecer procure já um profissional de saúde para uma orientação preventiva mais detalhada. Caso você esteja bem, e queira assim continuar, a recomendação é não cometer excessos.


Joaquim Corrêa Lima, é engenheiro pela Escola Politécnica da USP.

É empresário e dedica-se à pesquisa das propriedades das águas termais. Além de praticante, vem participando de estudos sobre os modernos princípios da maturidade ativa.

Sobre o autor

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