Uma Furtiva Lágrima

Editora: Objetiva Editora Record

Autor: Nélida Piñon

Páginas: 320 páginas


“Escrever é o que sei fazer. Narrar me insere na corrente sanguínea do humano e me assegura que assim prossigo na contagem dos minutos da vida alheia. Pois nada deve ser esquecido, deixado ao relento. Há que pinçar a história dos sentimentos a partir da perplexidade sentida pelo homem que, na solidão da caverna, acendeu o primeiro fogo”, trecho do texto Meu ofício, de Uma furtiva lágrima.

É um imenso lugar-comum dizer que, chegada a hora da despedida de nossa existência terrena, passa um filme da vida na cabeça. Com a escritora Nélida Piñon não foi diferente quando o oncologista a sentenciou a seis meses de vida. No caso de Nélida Piñon, a trilha sonora da sua película particular diz tanto que aquele que poderia ter sido seu último livro tem seu nome emprestado de uma ária imortalizada pelo tenor Enrico Caruso – Uma furtiva lágrima. Em seus últimos versos, Caruso clama: “Sim, poderei morrer. Sim, poderei morrer… de amor”. Sim, Nélida até poderia morrer de amor, mas, para o bem da língua portuguesa, não estava na sua hora, o médico havia se enganado. O episódio inspirou Uma furtiva lágrima, que chega às livrarias pela Editora Record.

O livro contém ensaios, mas é também uma espécie de inventário afetivo, cuidadosamente costurado por Nélida, a carioca descendente de espanhóis, criada em Vila Isabel e que desde mocinha sonhava com a Galícia. Entre os personagens que habitam suas reminiscências estão o avô Daniel, que a apresentou ao Rio antigo, a amiga Lygia Fagundes Telles, a quem dedica alguns textos do novo livro, o pintor Velázquez e o monarca espanhol Carlos V, o imperador do século XVI. Filósofos e outros pensadores da Antiguidade também habitam as páginas do novo livro.

Uma furtiva lágrima também é repleto de referências aos lugares por onde passou nestas pouco mais de oito décadas. Estão lá o bairro carioca da sua infância com o açougue da Rua Pereira Nunes, a Praça Mauá, onde ela assistia Romário, o homem dicionário, quadro protagonizado por César de Alencar, o Teatro Carlos Gomes e a igreja do colégio Santo Inácio, em Botafogo. O livro trata ainda sobre espiritualidade e fé, suas crenças no sagrado e no profano.

“Cresci, pois, engolfada nas tradições que emanavam dos livros que transitavampor minha imaginação, enquanto a mãe me introduzia ao mundo teatral. Ainda ao balé, à ópera, à música, estas artes apreendidas no Theatro Municipal, que eu frequentava com assiduidade. Aquele proscênio mágico ensinou-me a repartir meu tempo entre o poder da arte, da literatura, da vida familiar e a atração pelo amor. Sempre sob os auspícios da imaginação capaz de me projetar igualmente para o passado e para o domingo seguinte”, escreve em Minhas quimeras.

 

Nélida Piñon estreou em 1961 com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo. É catedrática da Universidade de Miami desde 1990, havendo sido escritora-visitante das universidades de Harvard, Columbia, Johns Hopkins e Georgetown. Recebeu os prêmios brasileiros Golfinho de Ouro, Mário de Andrade e Jabuti — este, de melhor romance e livro de ficção de 2005, por Vozes do deserto. E os internacionais Juan Rulfo, do México; Jorge Isaacs, da Colômbia; Gabriela Mistral, do Chile; Rosalía de Castro, e Menéndez Pelayo, da Espanha. Em 2005, pelo conjunto de sua obra, recebeu o importante Príncipe de Astúrias. É doutora honoris causa, entre outras, das universidades Poitiers, Santiago de Compostela, Rutgers, Florida Atlantic, Montreal e UNAM. Em 1989, foi eleita como imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 1996, por ocasião do centenário da Academia, tornou-se a primeira mulher a presidi-la. Em 2012, foi nomeada Embaixadora Ibero-Americana da Cultura.

Sobre o autor

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