Moradia

Instituições de longa permanência para idosos (ILPI)

© YuriArcus - Dreamstime
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Casa de repouso, clínica geriátrica, asilo…. Os nomes são muitos, mas a decisão, dolorosa, é a mesma: mudar o familiar idoso de casa para um local onde ele receba cuidados adequados.

É chegado o momento em que a família já não se sente capacitada a cuidar do idoso. Como escolher o local mais adequado para ele passar, sem traumas, a última fase de sua vida?

Conversamos com as pesquisadoras da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Alice Moreira Derntl e Helena Akemi Wada Watanabe, do Centro de Pesquisas sobre Envelhecimento. Elas estão fazendo o levantamento das instituições de longa permanência para idosos (ILPI) ?de São Paulo, privadas e filantrópicas, desde aquelas destinadas a idosos sós, desamparados socialmente, sem família, dependentes, até as que têm idosos autônomos, bem de saúde e bem financeiramente mas que optaram por estar na instituição.

A professora Alice Derntl começa falando do nome hoje usado para designar esses locais. “Quando se dizia asilo, casa da vovó, eram eufemismos. Asilo, é excludente, dá uma idéia quase medieval da pessoa ‘jogada’ lá dentro, junto com doentes mentais. Depois, procurou-se uma forma de dignificar quem mora nestes lugares, fazer a mudança de enfoque, e chegou-se a este nome: instituição de longa permanência para idosos (ILPI)”.

Mas o que é afinal uma essa instituição? Um hospital ou um lar? Alice Derntl responde: “Não é uma coisa nem outra, pois se fosse um hospital, coitado do idoso, teria hora para tomar banho, hora para comer. E no lar você tem família, cachorro, horários livres”. As instituições poderiam então ser definidas como residências, lugares onde se atendem questões de saúde? “Nós temos discutido muito e podemos dizer que são as duas coisas.

É uma residência, onde o idoso terá uma certa liberdade para si, e também uma assistência à saúde – necessária pela idade e pelas condições dos que costumam chegar a esses locais. Mas essa assistência não é a de um hospital (se ele tem um problema agudo, é levado ao hospital para se tratar). Ali se presta um cuidado continuado, acompanhando esse idoso à medida que ele vai perdendo competências. Ele não tem doença, mas perdas. Esse lento declínio é acompanhado de uma forma profissional”. Helena Watanabe completa: “ILPI é um lugar onde se desenvolvem algumas atividades, pensando em se retardar um pouco essas perdas”.

Como escolher o lugar certo

Qual seria então a melhor maneira de achar a instituição certa para o familiar idoso? O primeiro passo, segundo a pesquisadora Helena Watanabe, é verificar se aquela instituição existe legalmente – pois há muitas casas clandestinas – e se ali há um responsável técnico.

“São aspectos legais que devem ser observados. Depois, é preciso ir conhecer o lar, ver como é a rotina dos idosos, como eles estão sendo tratados, quais os recursos humanos que o local tem, a infra-estrutura. Há normas de funcionamento que a instituição precisa preencher, como as de edificação e de funcionamento, por exemplo, pois ela está sujeita à vigilância sanitária.

“O local precisa respeitar estas normas para poder funcionar”. As pesquisadoras lembram outros quesitos como: a adequação da alimentação e das instalações, a ventilação e insolação dos cômodos, a existência de um lugar para o idoso tomar sol, para caminhar. Além disso, a instituição deve possibilitar o desenvolvimento de atividades que estimulem o idoso física e mentalmente.

É uma residência, onde o idoso terá uma certa liberdade para si, e também uma assistência à saúde.

Em termos de recursos humanos, a instituição deverá contar com profissionais capacitados para o cuidado com a pessoa idosa: um responsável técnico, um profissional de enfermagem que faça o acompanhamento do idoso, além de nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional – em geral profissionais que não ficam todo o tempo na instituição mas que ali prestam serviço, além de cuidadores e profissionais de enfermagem.

Outras opções

“Atualmente, verifica-se que as ILPIs são mais procuradas para o cuidado de idosos doentes, fragilizados, que tenham incapacidades funcionais e/ou cognitivas, ou que sejam dependentes”, diz Helena Watanabe.

Para aqueles que ainda mantêm sua capacidade funcional e são autônomos, há condomínios, repúblicas para idosos, casas lares, flats, mas ainda utilizados por uma parcela muito pequena de idosos. Um outro tipo de serviço que possibilitaria postergar a internação do idoso em uma instituição são os centros-dia para onde o idoso vai pela manhã e volta para casa à noite, mantendo o seu vínculo familiar e permanecendo no ambiente que lhe é conhecido. “Esses centros-dia oferecem atividades assistenciais dirigidas como a assistência fonoaudiológica, fisioterapêutica, de terapia ocupacional e de enfermagem entre outras.

Infelizmente, ainda há muito poucos centros-dia em São Paulo”, conclui a pesquisadora, fazendo uma observação: “O que acontece é que a família fica com o idoso até um certo momento e quando não dá mais para cuidar dele, institucionaliza, isto é, leva-o para uma ILPI. Se houvesse um número maior de centros-dia, e um maior apoio à família que cuida de seu idoso dependente em casa, ele poderia ficar mais tempo com ela em seu lar.”

Entre as mais de 300 instituições que o Centro de Pesquisas sobre Envelhecimento listou até agora (março de 2008, na cidade de São Paulo, há as filantrópicas, as mistas (há vagas pagas, gratuitas e as subsidiadas pelo poder público). “O Estado não mantém nenhuma diretamente, mas indiretamente. A instituição se registra e recebe uma quantia mensalmente para cada idoso assistido – um financiamento indireto. Se ele tem aposentadoria, pode reverter até 70% para a instituição”, diz Alice Derntl.

Como opção para a família que não quer tirar o idoso de casa, mas não está dando conta do trabalho, há a possibilidade de se arranjar um cuidador. “Não é um enfermeiro, ele não vai dar medicação, não vai fazer curativo, mas ajudar nas atividades diárias: tomar banho, se vestir, ir ao banheiro, se alimentar, se movimentar”, explica Helena Watanabe, que informa haver cursos para cuidadores. “Hoje, ocupação de cuidador é reconhecida na NBO – Normas Brasileiras de Ocupação”.

É uma decisão que requer profunda reflexão, uma análise dos prós e dos contras.

Para cada situação de vida há uma decisão a ser tomada, depois de uma reflexão profunda e análise detalhada: institucionalizar o idoso, levá-lo a um hospital-dia ou cuidar dele em casa. Não é uma decisão fácil. Helena aconselha: “É uma decisão que requer profunda reflexão, uma análise dos prós e dos contras. A pessoa idosa será mais bem cuidada? Diminuirá seus isolamento? A institucionalização poderá significar o afastamento dos familiares?

Há outras alternativas de cuidado dessa pessoa idosa de forma a mantê-la no seu espaço, junto a seus entes queridos, aos seus objetos e lugares conhecidos?” E então, já tomada a decisão de institucionalização, ela frisa que é importante escolher bem e ler atentamente o regulamento da ILPI bem como o contrato de prestação de serviços.

Publicado originalmente na edição 1 impressa do Guia da 3a Idade

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