Saúde

Bruxismo

© KatiMolin - Stockxpert
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Quem costuma ranger os dentes ou apertá-los uns contra os outros durante o sono tem grande chance de ser portador do bruxismo.

Embora as causas desses hábitos parafuncionais e disfuncionais da arcada dentária não sejam precisas, consideram-se fatores de risco, tais como a idade (o bruxismo diminui com o avanço da idade), o uso de tabaco, álcool e cafeína, ansiedade, estresse, transtornos psiquiátricos e do sono e disfunções temporomandibulares.

O problema quase sempre está associado a fatores psicológicos, como o alto nível de tensão emocional, ocasionando ou intensificando o ranger e o apertar dos dentes. Esse comportamento pode provocar desgastes dentários exagerados, mobilidade dental e perda de estrutura óssea alveolar, responsável por manter os dentes em posição normal dentro do arco dentário. Em casos extremos, o bruxismo pode levar a uma perda prematura dos dentes.

Geralmente, a perda do controle de tais hábitos parafuncionais é identificada pelo cônjuge, por parentes ou pessoas próximas, que escutam o ruído à noite ou percebem alguma anormalidade na fala do portador. Nesse caso, é conveniente procurar um dentista, que poderá produzir uma peça bastante simples para uso interno (endobucal), removível, comumente conhecida como placa de mordida. Frequentemente, ela é adaptada ao maxilar superior, sendo inserida na boca pelo próprio paciente apenas quando ele for dormir, não representando nenhum incômodo. A placa é confeccionada em acrílico polimerizado quimicamente em laboratório protético resultando em um material compacto, leve, livre de qualquer porosidade, sendo bem polida na época que é entregue para uso e, dessa forma, evitando todo e qualquer problema com mau hálito e odores no material.

O tratamento feito com o acompanhamento odontológico consiste em ajustes periódicos da placa ou, eventualmente, na fabricação de uma nova placa quando ela for destruída pelo paciente, numa frequência aproximada de noventa dias para os casos mais graves. Quando a causa se dá por questões emocionais sérias, recomenda-se também um tratamento psicológico.

É importante lembrar, entretanto, que, na maioria das vezes, esses hábitos não apresentam resolução clínica. Eles são somente controlados pelos profissionais, evitando inconvenientes e resultados mais desastrosos. Cabe ao paciente, portanto, ter disciplina, principalmente quanto ao uso da placa. Quando o tratamento é interrompido por um período de 30 a 60 dias, os sintomas podem voltar a aparecer.

O bruxismo, a princípio, pode se desenvolver em qualquer pessoa. Sua incidência é muito comum, atingindo em torno de 60% da população. Embora sejam mais frequentes em jovens, os idosos não estão livres de tais disfunções. A prevalência do bruxismo na população idosa, inclusive, deve ser maior do que a estimada, já que as próteses totais em acrílico previnem os incômodos sons de ranger de dentes.

*Prof. Dr. José dos Santos Jr., foi professor de Dentística e Dor Odontofacial nas faculdades de odontologia da USP, Ann Arbor (Michigan/EUA) e San Antonio (Texas/EUA). Seus livros são publicados em diversos países.

Publicado originalmente na edição 1 impressa do Guia da 3a Idade

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