Nutrição

Beldroega: plantas alimentícias não convencionais

© Depositphotos/Sandor Kacso

Também conhecida como:

salada-de-negro,

caaponga

onze-horas,

verdolaga,

língua-de-vaca,

ora-pro-nobis

Aí a beldroega em carreirinha

em carreirinha indiscreta –

ora-pro-nobis! ora-pro-nobis! –

apontou caules ruivos no baixo das

cercas das hortas e, talo a talo, avançou.

João Guimarães Rosa (Sarapalha, em Sagarana, prefácio de Paulo Rónai, Editora Nova Fronteira, 384 páginas, Coleção 50 anos)


Já na Antiguidade as folhas e ramos da beldroega eram consumidos na alimentação humana. As atuais receitas remontam à Idade Média e eram populares na Inglaterra  de Elisabeth I. Consumidos crus em saladas ou  cozidos, refogados,   assados e conservas,  seus  ramos e  folhas suculentas têm um sabor salgado e meio ácido que lembra o espinafre.  Nos países do Oriente Médio  está presente nas receitas da fatuche,  em Portugal nas  versões regionais  da Sopa de Beldroegas  e,  na França,  é ingrediente de sopas típicas, como a Soupe à la  Bonne Femme.

À la bonne femme é  designação francesa para pratos caseiros preparados de maneira simples, nutritivos e saborosos. A expressão também é utilizada ao identificar uma dona-de-casa prestimosa.

As sementes – cruas ou cozidas – são consumidas moídas e misturadas a farinhas no preparo de pães, bolos, biscoitos…

Uso medicinal – Pesquisas e autores  constataram as propriedades curativas da  beldroega como fonte de vitaminas  A, B e C ( antioxidante), sais minerais, anti-inflamatória e anti – glicêmica,  analgésica, purificante.

Possui mais ômega-3 do que alguns  peixes ricos nessa gordura benéfica.

Também é utilizada em emplastro para combater a acne e aliviar picadas de insetos.

Entre outras propriedades, seu suco é usado em afecções dos olhos, as sementes agem contra parasitas intestinais e, ao ser cozida, torna-se diurética, contribuindo para aumentar a secreção do leite materno.

Devido às suas propriedades tóxicas, o uso medicinal deve ser utilizado com moderação e sempre com orientação médica

Saiba mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Portulaca_oleracea

Onde encontrar – Planta silvestre em muitos continentes (inclusive no Brasil) pode ser encontrada – nas suas diferentes variedades – em terrenos baldios, quintais, praças, trincas de muros, com pouca ou muita luz do Sol (quando se desenvolve melhor). Na América do Norte e em alguns países sul-americanos  é  considerada erva daninha.

Sementes e mudas estão à venda em em lojas de  jardinagem, floriculturas, Ceasas…. Nesses estabelecimentos pode-se obter informações sobre a planta.

Verde brilhante, pequena flores amarelas, rasteira (30cm de altura, em média), variedades com diferentes tamanhos de folhas (usadas como planta ornamental) identificam a beldroega

É sempre importante contar com a experiência de alguém que possa garantir a autenticidade da planta.

PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais

© Depositphotos/Victor Zakharevych
© Depositphotos/Victor Zakharevych

O cultivo e o consumo dessas  plantas – que já foram muito frequentes na mesa dos brasileiros – estão sendo resgatados  pelo polo Regional de Pindamonhangaba da  Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Elas  são ricas em nutrientes e sua inserção  na nossa  alimentação pode  ser uma significativa fonte de renda aos pequenos produtores rurais: “ …são facilmente cultivadas e possuem valor agregado” explica a pesquisadora da APTA Cristina Maria de Castro, que prossegue: “ são produtos diferenciados, que tem sido bastante buscados por chefes de cozinha e mercado gourmet.”  Alex Atala, Helena Rizzo e Inês Baconnot já utilizam as plantas alimentícias não convencionais (PANC) em seus restaurantes e contribuem para criar uma demanda.

Saúde na Feira – Para incentivar o consumo, são realizada  feiras em  municípios paulistas -“Saúde na Feira” – em conjunto com produtores orgânicos de PANC e  uma chefe de cozinha que as prepara para a degustação da população. O projeto conta ainda com assessoria de  palestras e implantação de Hortas Demonstrativas em escolas para inserção das PANC na merenda escolar.

As PANC  podem ser cultivadas em quaisquer espaços, inclusive nos jardins

Durante a Agrishow 2017 a APTA levou 16 espécies de plantas alimentícias não  convencionais  para compor a Vitrine Tecnológica para Pequenas Propriedades e, assim,  incentivar o resgate do cultivo e consumo dessas espécies,  uma forma de agregar valor à produção orgânica e promover segurança alimentar e nutricional.

Essa iniciativa se insere nos projetos de pesquisa da APTA para promover políticas públicas focadas na pesquisa participativa agrícola e desenvolver novos modelos de sistema de produção com base agroecológica, considerado as especificidades regionais.  A intenção é estimular as famílias rurais a permanecerem no campo, com qualidade e respeito ao seu conhecimento, além de  geração de renda e produção diferenciada, confirma Arnaldo Jardim, secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo: “ as pesquisas com PANC são importantes por gerar renda no campo, melhorar a vida do produtor rural e disponibilizar alimentos saudáveis à população.”

A jornalista Fernanda Domiciano no texto da APTA sobre as plantas alimentícias não  convencionais mostra que: “inspirados pelos chefes de cozinha e conscientes da importância do papel da alimentação para prevenção de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo II, problemas cardiovasculares e obesidades infantil, os consumidores passaram a procurar por esse tipo de produto e a resgatar um hábito  alimentar de seus antepassados.”

Oportunidade para a 3ª Idade X PANC

O consumo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) pode gerar oportunidades de renda para a 3ª Idade, em todas  etapas: plantio, industrialização, comercialização, distribuição, incluindo  marketing e consultorias.  Empresas individuais (MEI), pequenas empresas (EPP), incluindo as EIRELI, cooperativas e empresas de  grande porte tem um elenco de oportunidades nesse mercado. Sebrae, Sesc, Sesi, Endeavor – entre outras entidades – são opções para informações sobre empreendedorismo e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, através da APTA (Agencia Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) – entre outros – sobre o cultivo e consumo de PANC.

Guia da 3ª Idade está à disposição para novas informações.


Sopa de beldroegas

Tradicional de Portugal

Rendimento: serve 4 pessoas

Tempo de preparo: 1 hora

Ingredientes

– 1  cebola

– 2 dentes de alho

– 400 g de batatas

– 2 colheres (sopa) de azeite

– 1 colher (chá) de pimentão-doce

– 1 folha de louro

– 1 colher (café) de sal

– 1 maço grande de beldroegas

– 1 queijo fresco grande

Modo de preparo

Descasque, lave e pique em fatias finas a cebola e os dentes de alho.

Corte as batatas já descascadas em rodelas.

Numa panela, aqueça o azeite e acrescente a cebola, os dentes de alho, o pimentão-doce e a folha de louro.

Acrescente 1 litro de água quando a cebola estiver dourada.

Tempere com sal e deixe ferver.

Em seguida junte as beldroegas e as batatas, deixando cozinhar por 40 minutos.

Apague o fogo e retire a folha de louro.

Ao servir acrescente o queijo fresco em pedaços e sirva de seguida.

Fonte: http://www.teleculinaria.pt


Galinha caipira

com especiarias, cuscuz que quinoa, maria preta e beldroega refrescante

chef Iracema Bertoco, do Centro Europeu

Ingredientes

– 500g de coxa e sobrecoxa de galinha caipira sem pele

– 30g de açúcar mascavo

– 20g de cúrcuma

– 20g de gengibre ralado

– 1 pimenta dedo de moça

– ½ cebola picada

– 2 dentes de alho picados

– ½ pimentão amarelo picado

– casca de 2 maracujás em fatias finas (apenas a parte branca)

– 3 tomates picados

– 3 colheres de coentro

– 3 colheres de salsinha

– sal

– 30ml de óleo de girassol

Preparo

Deixe as cascas de maracujá fatiadas de molho em água por 12 horas. Refogue a cebola e o alho no óleo.

Acrescente o frango e deixe dourar.

Coloque o açafrão, o açúcar mascavo e o gengibre e refogue mais um pouco.

Acrescente o pimentão e os tomates, a casca de maracujá, a pimenta e o sal, e deixe cozinhar em fogo baixo até o frango ficar macio.

Se necessário acrescente água quente aos poucos. Finalize com o coentro e salsinha.

Ingredientes Cuscuz

– 100g de quinoa cozida

– 1 talo de alho poró cortadinho em rodelas

– 1 fatia de abóbora em cubinhos

– casca da fatia de abóbora em tirinhas finas

– 1 cenoura em cubinhos

– Rrmas de cenoura picadinha

– ¼ de cebola picadinha

– 20g de cúrcuma

– 1 pimenta biquinho picadinha, hortelã e manjericão frescos picadinhos

– sal

– azeite

– sementes da abóbora e do maracujá tostadas

– ½ xícara de maria preta maduras

Preparo

Em uma panela, refogue a cebola e o alho poró.

Acrescente a abóbora, as cascas, a cenoura e a pimenta.

Baixe o fogo para que os legumes cozinhem apenas com o próprio suco.

Coloque a quinoa e o açafrão. Acerte o sal.

Desligue o fogo.

Finalize com as sementes tostadas, o hortelã, o manjericão e a maria peta.

Coloque mais azeite se necessário.


Beldroega refrescante

Ingredientes

– Folhas de beldroega lavadas

– Suco de 1 maracujá

– 1 colher de azeite

– 1 pitada de sal

– Raspas de gengibre

Preparo

Em uma vasilha misture bem o suco de maracujá, o azeite, o sal e o gengibre.

Regue as folhas de beldroega com essa mistura.

Em tempos de sustentabilidade, a chef Iracema Bertoco, do Centro Europeu, desenvolveu receita deliciosa e saudável para estimular as pessoas a descobrir plantas alimentícias não convencionais (Pancs), como a beldroega e a maria preta, que nascem espontaneamente, não precisando ser cultivadas, e a usarem partes não convencionais de alimentos, como a parte branca da casca do maracujá, as sementes de abóbora e cascas e ramas de legumes que quase sempre são jogados fora.

Sobre o autor

Guia da 3a Idade

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